domingo, 7 de fevereiro de 2010

Libertas...

Fico a imaginar se há algo mais triste que a frustração de ter contida a liberdade...
A essência de voar que permeia a palavra tem as asas cortadas por palavras de seres inconscientes. Justo?
Não.
Não se paga o que não se deve.
Nada mais triste que olhar para suas asas e ver que elas foram cortadas, que seus pedaços ainda se encontram no chão perto dos pés daquele que porta a tesoura...
Triste é olhar para a porta e vê-la fechada quando se quer passar por ela...
Triste é andar por entre muros sem poder saltar por eles...
Triste é ver o céu e não alcançá-lo...
Triste é tentar alçar voo e não conseguir, por puro egoísmo dos que não tem asas... e querem as nossas.
Triste é andar ao lado do penhasco mais tentador e não poder saltar em queda livre, por que, simplesmente porque nos roubaram as asas... levaram-nas, cortaram-nas.
Triste... não há palavra mais certa.
Compreendo agora que não há preço maior a pagar por crimes cometidos. Nada dói mais do que ter pés e mãos atados, do que pensar em tomar um sorvete e não poder, querer abraçar um amigo e ser impossível. Sim, é pior que a pena de morte!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O amor logo ali...



"Anda-se perdido desde que se nasce."
"As almas só são completas quando se encontram efetivamente."

Esses são dizeres que ouço repetidamente por ai...
Duvidava deles até que presenciasse a ação do amor bem ao meu lado.
Estava eu em um jardim admirando durante muito tempo a vida de uma linda borboleta...
Foi muito tempo, uns doze anos. Ela, com seu coração todo colorido, procurava encontrar outra borboleta que irradiasse todas as cores que completasse as suas... esperou.. esperou e ES-PE-ROU..
Chegou, ou melhor ela imaginou ter chegado. Doou-se. Deu tudo o que tinha... amor, alegria e até abriu mão de muitas de suas cores para que a outra borboleta, não tão colorida quanto ela esperava, fosse seu par perfeito.
Durou. Mas, a borboletinha multicor acabou por sentir falta de todas as cores que teve que doar para que seu par se tornasse perfeito... e os dias passaram a ser cinzentos, sem graça, disformes. A borboletinha partiu. Triste, manca, só.
-Ah borboletinha, esqueceram de te dizer nesse tempo de dedicação total ao seu amor que você não tinha vocação para a tristeza e para a infelicidade.. rs-
E, como eu já sabia que ocorreria, ela se levantou, olhou pro céu e resolveu voar. Provou de muitos pólens, nenhum lhe agradou (esqueci de falar do quão exigente era a senhorita borboletinha.. rs).
Nunca me cansei de observá-la.. de correr nos campos com ela...
Um belo dia, um dia comum parecia, ela passeava pelos campos sem vontade alguma de experimentar os pólens... e como sempre sem admirar as outras borboletas - as flores eram mais belas - parou em uma flor para descansar quando uma borboleta pediu permissão para ao seu lado também repousar. Ela olhou pra ele e, sem vontade alguma de sua companhia, disse:
- Se não se importar que eu fique com meus pés estendidos... (louca para que ele dissesse que se importava e saisse dalí)
A borboleta então disse:
- Se não se importar que os admire...
Ela então olhou para essa persistente borboleta e percebeu que todas as cores que estavam guardadas a tanto tempo em seu velho armário empoeirado estavam ali, bem na sua frente.
Encantou-se!
Recostou-se!
Afastou-se!
Aproximou-se!
Abraçou-a...Beijaram-se...
E as cores misturaram-se em ambas.. e os sorrisos revestiram toda a solidão das borboletas...
E, de mãos dadas, tendo encontrado todas as cores do jardim uma na outra, seguiram aproveitando os pólens... os riachos... as flores...
Eu continuo aqui observando agora as borboletas que se tornaram um ser apenas. Me divirto com os saltos-pirueta que dão por todos os lados, morro de rir com os enfeites que agora adornam suas asas e peço ao sol, às flores e a Deus que os conserve assim... para sempre!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Conto de fadas relâmpago...


Era uma vez uma princesa que sorria sozinha até que um dia ..."Tim Tim" , um príncipe brindou com seu largo sorriso e a chamou para dançar.
Eles dançaram uma, duas, três... mil músicas.
Cansaram. Deitaram e contaram estrelas. Fizeram desenhos com as constelações e descobriram uma que apontava os caminhos. Um pedido a uma estrela cadente e o sono de repente. Um beijo e o sono despertado...
Começava apenas o encontro mais rápido e mais profundo para os nobres corações.
Mãos entrelaçadas, olhos entrecuzados, cumplices, brilhantes... e o desejo de congelar o tempo.
O relógio ajudava, girava lentamente... mas não parava.
"Bom dia pegricinha... voxê está dormindo muito"... e o dia começava, lindo e interminável.
Mas... passava. E passou. A hora chegou e as mãos se espalmaram, os corações relutaram...
Um beijo , dois, três...mil beijos. Um abraço terno e confortável e um adeus com cheiro de quem quer manipular o destino...

E foram, saudosos para sempre.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

03/01/2010 ♥



Desarmada estou a olhar seus olhos...
Tudo se desfaz diante do seu sorriso e tenho vontade de brincar com seus cabelos, de recostar em seu peito e ouvir suas histórias do mundo de depois de amanhã.
Tudo se refaz com seu perfume, o mundo desaparece em volta, tudo se reequilibra por dentro e desequilibra por fora, sou capaz de fazer tudo quando vejo a força dos seus gestos.
Tudo se torna pequeno e nosso mundo se engrandece como era para ser... SEMPRE.
O mar fica mais lindo.
O céu fica mais feliz.
O menino brinca contente.
Os anjos dizem Amem!
E nós dizemos: Amém!
O mundo gira e faz sua parte.
O tempo acaba...
O relógio volta a girar...
A vida retoma seu curso...
Tudo igual, mas diferente...
Agora esperamos a hora certa de sermos novamente a letra da canção.

Muito além desses dias...

Stê, amigo-irmão...

Creio, suponho sempre, que em outra vida fomos amigos de infância...

Acho ainda que isso casa perfeitamente com a cena de nós dois correndo pelo campo de girassóis em busca das borboletas azuis, amarelas e multicores que adoravam brincar de pega-pega por lá...

Eu com meu vestido lindo rosa chá e cabelos trançados e você com suas bochechas rosadas e redondas e suas calças curtas, camiseta e suspensórios que odiava usar.

Quando as borboletas nos cansavam corriamos, com nossas bolinhas de barro e estilingues, para espantar os passarinhos...Éramos felizes.

Hoje, nesta vida, nos encontramos crescidinhos, não me lembro de ter usado o vestido amarelo, as tranças não seguravam em meus cabelos e você achava que os suspensórios pertenciam ao seu pai...


Mudou algo sim, porém continuamos a correr pelos campos de orquídias, margaridas e até flores do campo de nossos livros, mentes e corações, buscando sempre conferir os vulcões do Pequeno Príncipe, os moinhos de vento de Quixote, as memórias de Brás Cubas, o mundo de Sofia e os versos de Pessoa; Procurando sempre, incansável e impertubavelmente, o amor nos olhos dos outros, a paz no gesto, no sorriso e nas mãos.

Em vez de assustar os passarinhos com nossas pequenas bolinhas de barro, nesta vida, preferimos pegar carona em suas asas, partir em frente amando LIVRES o mundo que nos circunda.

sábado, 21 de novembro de 2009

Contradições...

Teimoso tempo,
passa arrastado quando a distância se aproxima
e acelera o passo enquanto os dedos brincam....

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Não mais que de repente...


Como a vida é interessante.
Andamos por aí durante dias, meses, anos... meio perdidos, procurando sentido em tudo aquilo que sabemos não haver sentido algum.
Fingimos, por diversas vezes, não querer o que nosso coração grita desesperado em busca.
Preenchemos o nosso ser de plumas leves e vagas... só para fingir estarmos completos.
A vida, porém, mais esperta que nós... olha sorrindo nossos toscos passos e, quando nos distraímos e deixamos as armas apoiadas na parede ao lado, THANTHANTHANTHANNNN... nos prega uma peça!
Coloca-nos desarmados diante das situações que, por tantas vezes, simulamos imaginando os passos de reação e contra-ataque; Que tolos somos... nos vemos bobos, sem ação, rindo, sem palavras...
E, como bebês, começamos tudo novamente, passo a passo...
Voltamos a nos maravilhar com as coisas que perderam as cores no cinza da rotina monótona dos dias...
Voltamos a brincar com o mundo do outro como uma montanha-russa fascinante...
Nos perdemos no tempo... brigamos com o relógio... fingimos não notá-lo, pirraçando a vida responsável que nos convida, forçosamente, a voltar!
Quão vulneráveis somos... nos revestimos com a mais firme armadura de nossas maiores aventuras de cavaleiros andantes... Quixoteamos a vida... E, simplesmente, somos pegos de surpresa e a armadura, fina e firme, se desfaz como papel.
Toda essa surpresa do não planejado nos deixa perplexos, nos tira o chão por momentos incontáveis... porém, nos acostumamos facilmente, pois maravilharmos-nos com a vida, devolve o sentido, pinta os dias e insere as notas perdidas das antigas canções do tempo.