Sobre meus escritos...

Escrevo quando sou só palavras, de corpo e alma, de pele e palma... só palavras.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Se pudesse...


Forraria o chão todinho de estrelas só para iluminar seus olhos quando passasse...
Roubaria um pedaço do céu azul só para usares quando o frio insistisse em esconder o sol dos seu sorriso...
Desenharia o mar na sua janela só para te deixar brincar com as ondas ao entardecer...
Congelaria a lua ali, bem cheia, e a posicionaria estrategicamente no seu caminho de volta pra casa para que sua luz dissipasse todos os maus pensamentos do seu coração...
Sim... fá-lo-ia, sem pestanejar, sem sacrifícios, se assim o pudesse...
Mas tem algo mais simples e mais singelo que posso fazer agora...
Posso transbordar meu amor todinho sobre o seu travesseiro, sua casa... seu mundo!
 

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Bons ventos...

 Os bons ventos chegaram... a tempestade está se dissipando... as flores estão crescendo nas calçadas...
 O arco-íris apareceu no céu azul de poucas nuvens... os passarinhos saíram dos ninhos para brincar de quem toca o céu primeiro... O sol, tímido, acaricia as janelas nos lembrando que é tempo de pôr as roupas pra secar... de arejar as salas e o coração.
Mas e os dias frios? Ah... eles valeram. Aprendi a olhar pro meu silêncio de outro modo. Compreendi que quando chove, a gente precisa aprender a ver a beleza da água, da neve.. do frio. Das folhas escondidas sob a neve. Dos ventos varrendo as ruas e misturando os perfumes. 
A tempestade nos traz esse gosto agridoce da solidão, nos faz valorizar nosso cantinho, nos faz querer mais calor do colo dos que queremos bem, nos faz aquecer o coração com mais atenção e cuidado.
E faz mais, esses dias de recolhimendo obrigatório, nos faz ver mais beleza e esperar ansiosos pelos rostos rosados do sol da tarde, nos faz querer correr pra rua pra ver as flores da varanda sorrido pro sol no céu... Nos faz querer voltar assim, reluzentes de amor pra iluminar os que passam, para deixar sobre os muros, para diminuir as distâncias e apertar os abraços, para unir as mãos e bocas e corações. 
A tempestade vai, deixa, porém,  em nós a docilidade de saber cuidar de dentro para melhor olhar pra fora e VIVER [em caixa alta] as primaveras, verões e outonos que nos povoarão as horas de nossos curtos longos dias.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Fato!

E não importa o quanto eu tente te sufocar dentro de mim, vc continua gritando alto que não vai arredar o pé do meu peito! Isso me enlouquece... tento fazer tudo normalmente, fingindo não te notar ali, tão imenso volume sob a pele, mas ali está você. Intacto. Inalterado.
Caminho pelas ruas olhando em frente. É PRECISO SEGUIR. Mas ali está você... olhando-me fixamente por entre as caixas empilhadas do supermercado... acenando no sinal... cumprimentando-me pela janela ao acordar... no espelho, no perfume, por toda parte.


Simplesmente...


Não tem segredo... simplesmente algumas coisas acontecem... 
E aconteceu fatalmente e foi além da compreensão, foi além do entendimento.
Um belo dia o céu não estava mais azul para nossos sonhos, para nossas luas...
Tenho medo do céu assim, cinza, opaco, sem graça... Temo que nunca mais volte a ser o mesmo, temo que me acostume...
E o pior de tudo isso, desse apagar das cores é que a gente tem saudade de não ter visto o céu de mãos dadas, tem muita vontade de poder controlar isso tudo e mudar o rumo das coisas... mas não pode. 
Não sei se infelizmente ou se felizmente... mas é assim que as coisas se encontram...
Resignar? Aceitar? Desistir? Não sei. Sei que olho o céu todos os dias, com esperança de que, como por um milagre, o azul, aquele nosso azul, esteja ali, sorrindo novamente pra mim.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Esses dias...


Sabe quando pesa, pesa, pesa e pesa...? Encheu, pesou e transbordou. Estou esvaziando os copos e deixando emborcados para evitar a embriaguês que as emoções me causam de sempre em sempre...
Estou querendo um pouco mais de encontros... meu coração já acumulou marcas e poços demais. Estou precisando sentir cuidados, o amor fluir do outro lado... a preocupação do fim do dia...
Estou querendo um pouco mais do amor, um pouco mais das horas, um pouco mais dos dias...
Estou cuidando do meu cantinho. Ajeitando as coisas, desativando contas, ativando emoções, excluindo superficialidades...
Estou partindo... saindo do caminho das coisas que me atropelam diariamente... fazendo o caminho mais longo, mas chegarei... e isso me conforta. Independente do caminho, chegarei.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Da janela dos seus olhos...


Uma pequena luz entra pela janela... é manhã.
Preguiçosamente não levanta... fica ali, orando e agradecendo por mais um dia, mais essa oportunidade de ser melhor que ontem. 
Como costumeiramente, ele é sua primeira imagem. E, como sempre, pede a Deus que o abençoe, que esse dia acelere suas conquistas e o cubra de paz e bênçãos.
Ele nem sabe o que sente essa garota. Nem suspeita que no fundo dos olhos dela é o seu retrato quem a conduz pelas esquinas. Mas ela não se importa... Esse amor lhe trouxe uma quietude tão mansa... tão doce, que senti-lo ali, todas as manhãs, no mais quentinho do seu coração, já faz nela um sorriso imenso.
Não, não pense que basta. Não. Ela queria mais, muito mais. Queria estar ali, segurando sua mão a cada passo, arrumando a mesa do café enquanto ele sai do banho...  Queria poder sentar com ele olhando o mar e imaginando os dias depois de amanhã... 
Sonhos, imagens e projeções de uma vida que nem sabe se viverá... Mas está tudo bem. Está calma. Estranhamente calma. E ela diz que não tem problema, que sabe que as coisas tomarão o rumo que devem tomar na hora certa. Diz que seus desejos não a devem fazer perder a noção de espaço ou tempo... que precisa seguir e arrumar as malas pra um dia partir, mas que hoje, especialmente hoje, está em paz com suas esperas.
Admirando-a em sua rotina, acho incrível o modo como se doa ao ofício. Abraça. Sofre. Ama. Ri. É ela, em corpo, alma e essência... E como deseja que aquele moço um dia possa vê-la assim... imprimindo amor em tudo o que faz... Ela só queria isso... ele ali, segurando a sua mão enquanto agradece em silêncio pela segurança de ser toda luz com sua presença. 
Indiscutivelmente ama. Ilimitadamente ama. Infalivelmente ama. E amará sempre, sabe disso. Talvez nem sempre a ele, mas sei que amará eternamente. Sei que viverá em estado de amor mesmo quando esse se apresentar distante. Tenho essa impressão sempre que vejo seus olhos doces a olhar além. E quando voltar a ser estrela a iluminar-nos os caminhos, como epitáfio sei que verei gravado: "Amou com tudo o que tinha, todas as horas dos seus dias."

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Não demore...


Hoje espanei os cômodos do meu coração...
Abri, limpei gavetas... joguei fora retrados antigos de coisas das quais nem me lembrava mais...
Aquivei antigos diários... relatos de amores euforicamente eternos e fugidios [se isso é possível]
Contabilizei as lágrimas... havia muito mais sorrisos...
Reli antigas cartas, bilhetes de outra vida... 
Nada. Absolutamente nada, pôde se equiparar ao agora. Nada... nada daquilo que encontrei ali, no fundo das gavetas dos antigos armários de lembranças do meu coração me fizeram ter vontade de voltar... nada me fez desejar algo além de deixá-los ali... exatamente como estavam... guardados, cheirando ao perfume de outros dias. 
Não sei exatamente como isso acontece... mas sei que você conseguiu apagar tudo. Tudo. Nada do que foi importante um dia tem sentido agora. Não precisava ter me dado ao trabalho de olhar novamente pra tudo aquilo.. porque você veio antes de mim e mudou tudo... desbotou as letras das cartas, as capas dos livros... fechou a porta e começou a colorir todos os meus vãos. 
Aquele antigo relicário ali está... sobrando... perdido entre as cores que você transbordou em mim. 
Estou te esperando pra terminar aquele jardim que a gente começou a plantar... as flores precisam da habilidade das suas mãos para que cresçam...


...Não demore.