
Como a vida é interessante.
Andamos por aí durante dias, meses, anos... meio perdidos, procurando sentido em tudo aquilo que sabemos não haver sentido algum.
Finjimos, por diversas vezes, não querer o que nosso coração grita desesperado em busca.
Preenchemos o nosso ser de plumas leves e vagas... só para finjir estarmos completos.
A vida, porém, mais esperta que nós... olha sorrindo nossos toscos passos e, quando nos distraímos e deixamos as armas apoiadas na parede ao lado, THANTHANTHANTHANNNN... nos prega uma peça!
Coloca-nos desarmados diante das situações que, por tantas vezes, simulamos imaginando os passos de reação e contra-ataque; Que tolos somos... nos vemos bobos, sem ação, rindo, sem palavras...
E, como bebês, começamos tudo novamente, passo a passo...
Voltamos a nos maravilhar com as coisas que perderam as cores no cinza da rotina monótona dos dias...
Voltamos a brincar com o mundo do outro como uma montanha-russa fascinante...
Nos perdemos no tempo... brigamos com o relógio... fingimos não notá-lo, pirraçando a vida responsável que nos convida, forçosamente, a voltar!
Quão vulneráveis somos... nos revestimos com a mais firme armadura de nossas maiores aventuras de cavaleiros andantes... Quixoteamos a vida... E, simplesmente, somos pegos de surpresa e a armadura, fina e firme, se desfaz como papel.
Toda essa surpresa do não planejado nos deixa perplexos, nos tira o chão por momentos incontáveis... porém, nos acostumamos facilmente, pois maravilharmos-nos com a vida, devolve o sentido, pinta os dias e insere as notas perdidas das antigas canções do tempo.